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Reforma Tributária e eleições 2026: o que muda para sua empresa?

Equipe Marketing Escrilex
há 6 horas
8 min de leitura

A Reforma Tributária já saiu do campo das ideias. Ela está na Constituição, foi regulamentada em parte pela Lei Complementar nº 214/2025 e começa a produzir efeitos práticos antes da substituição completa dos tributos atuais.


Para empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real, a pergunta mais relevante não é apenas “qual será a nova alíquota?”. A questão central é outra: como a mudança altera preço de venda, margem, aproveitamento de créditos, contratos, fluxo de caixa e planejamento tributário.


As eleições presidenciais de 2026 também entram nessa conta. Não porque possam simplesmente “cancelar” a reforma, mas porque o próximo governo poderá influenciar a condução econômica, a regulamentação pendente, a velocidade de ajustes e a forma de implementação prática.


Este artigo organiza os pontos que merecem atenção agora, sem alarmismo e sem tratar o tema como disputa política. O foco é o impacto na gestão da empresa.



O que já mudou com a Reforma Tributária?


A base da Reforma Tributária do consumo foi aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023. Ela redesenhou a tributação sobre bens e serviços no Brasil, criando um modelo de IVA dual.


Na prática, o sistema atual será substituído gradualmente por novos tributos:


Tributos atuais

Novos tributos

PIS e Cofins

CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços

ICMS e ISS

IBS, Imposto sobre Bens e Serviços

IPI, em parte

Imposto Seletivo e regras específicas


A Lei Complementar nº 214/2025 regulamentou pontos centrais da CBS, do IBS e do Imposto Seletivo. Mesmo assim, ainda existem temas que dependem de regulamentação infralegal, sistemas operacionais, adaptações no ambiente fiscal e definições práticas pelos fiscos.


Alguns princípios já estão claros:


  • a tributação passa a ser mais concentrada no consumo;

  • o crédito tributário tende a ganhar peso maior na apuração;

  • o destino da mercadoria ou serviço ganha relevância;

  • haverá período de transição entre o modelo atual e o novo;

  • empresas precisarão conviver com dois sistemas por alguns anos.


Isso significa que 2026 não deve ser tratado como um ano de espera. Será um ano de testes, simulações, revisão de cadastros, ajustes contratuais e análise de impacto por produto, cliente, fornecedor e unidade de negócio.


O que muda em 2027 para as empresas?


A partir de 2027, a transição entra em uma etapa mais sensível para as empresas. A CBS passa a substituir PIS e Cofins, e o Imposto Seletivo começa a integrar o novo desenho tributário, conforme as regras constitucionais e legais aplicáveis.


Não é uma troca simples de siglas. Para muitas empresas, PIS e Cofins fazem parte de precificações, contratos, relatórios gerenciais e modelos de margem que foram construídos ao longo de anos.


Em 2027, a atenção deve se concentrar em quatro frentes.


A apuração tributária exigirá novos controles


Empresas que hoje tratam créditos de PIS e Cofins de forma limitada precisarão revisar processos. O novo modelo valoriza a lógica de crédito sobre aquisições vinculadas à atividade empresarial, respeitadas as regras legais.


Isso exige cadastro fiscal correto, documentos bem escriturados e integração entre compras, fiscal, financeiro e comercial.


Um erro de classificação pode deixar de ser apenas uma falha operacional. Pode afetar custo, preço, margem e caixa.


Os sistemas precisarão conviver com regras antigas e novas


Durante a transição, não basta atualizar o ERP com novos campos. Será necessário acompanhar operações com regimes diferentes, tributos remanescentes e novas obrigações.


Empresas com muitos itens, filiais, operações interestaduais, contratos recorrentes ou vendas para setores diferentes sentirão mais esse impacto.


A formação de preços precisará ser reavaliada


A reforma muda a forma como os tributos entram na cadeia. Dependendo do setor, do perfil de fornecedores, da possibilidade de crédito e da posição da empresa na cadeia, o preço líquido pode mudar.


Por isso, revisar apenas a alíquota destacada na nota não resolve. A análise precisa chegar ao nível da margem real.


Contratos longos podem carregar riscos tributários


Contratos com vigência em 2026, 2027 e anos seguintes merecem cláusulas de revisão tributária. Isso vale para fornecimento contínuo, prestação de serviços, locações estruturadas, contratos públicos e vendas recorrentes.


Não se trata de incluir cláusulas genéricas. A empresa precisa avaliar como repassar, absorver ou renegociar efeitos tributários dentro de limites comerciais e jurídicos.


Close-up de mercadorias identificadas em prateleiras de estoque
Produtos, cadastros e documentos fiscais precisarão conversar melhor entre si.

Minha empresa poderá pagar mais impostos?


A resposta honesta é: depende da operação. E essa dependência precisa ser medida com dados da própria empresa.


A Reforma Tributária não terá o mesmo efeito para todos. Duas empresas do mesmo setor podem ter impactos diferentes porque compram de fornecedores distintos, vendem para clientes distintos, usam estruturas comerciais diferentes e têm margens diferentes.


Alguns fatores influenciam diretamente o resultado:


  • regime tributário atual, especialmente Lucro Presumido ou Lucro Real;

  • volume e qualidade dos créditos disponíveis;

  • composição entre produtos e serviços;

  • cadeia de fornecedores;

  • perfil dos clientes, se pessoa física, jurídica, contribuinte ou não contribuinte;

  • contratos com preço fixo;

  • incentivos fiscais atualmente utilizados;

  • peso de ICMS, ISS, PIS e Cofins na formação de preço.


Empresas no Lucro Presumido precisam observar com cuidado a relação entre carga atual e novo modelo de créditos. Em alguns casos, a sistemática atual pode parecer mais simples, mas esconder margens pressionadas. Em outros, a mudança pode exigir uma revisão profunda do preço para não reduzir rentabilidade.


Empresas no Lucro Real, por sua vez, costumam ter processos fiscais mais estruturados, mas também lidam com maior volume de créditos, exclusões, ajustes e operações complexas. A transição pode abrir oportunidades de melhor aproveitamento de créditos, mas também aumentar a necessidade de controles.


A pergunta correta não é apenas “vou pagar mais ou menos?”. A pergunta é “qual será o impacto por produto, contrato, cliente e margem?”.

Essa análise não deve esperar a virada de 2027. Quanto antes a empresa simular seus cenários, maior será a capacidade de negociar preços, revisar contratos e ajustar processos internos.


Como ficam preços de venda, margens e créditos tributários?


A formação de preços tende a ser um dos temas mais delicados da Reforma Tributária. Isso acontece porque o preço de venda não depende apenas da carga tributária final. Ele também depende do crédito recuperável, do momento em que o tributo é pago e da aceitação do mercado.


Uma empresa pode ter aumento de crédito e, ainda assim, perder margem se não ajustar sua política comercial. Outra pode ter redução de custo tributário em parte da cadeia, mas não conseguir capturar esse benefício se os contratos forem rígidos.


O crédito tributário muda a leitura do custo


No modelo de IVA, o crédito ganha papel central. A empresa precisa enxergar o tributo recuperável como parte do cálculo econômico da operação.


Isso exige cuidado com fornecedores. Comprar de empresas que geram créditos adequados pode ter efeito diferente de comprar de fornecedores com tratamento tributário específico ou com documentação inconsistente.


A área de compras precisará conversar mais com a contabilidade. Preço menor na cotação pode não significar custo menor depois dos créditos.


Margem deve ser analisada com base no preço líquido


A decisão comercial deve separar:


  • preço bruto faturado;

  • tributos incidentes;

  • créditos apropriáveis;

  • custo efetivo da mercadoria ou serviço;

  • despesas operacionais;

  • margem líquida.


Sem essa separação, a empresa corre o risco de confundir faturamento com rentabilidade.


Essa revisão vale também para tabelas de preço, comissões, descontos comerciais e metas de venda. Se a base de cálculo mudar, políticas internas podem gerar distorções.


Contratos precisam prever mudanças tributárias


Em contratos novos, cláusulas de reequilíbrio tributário tendem a ser cada vez mais relevantes. Em contratos já assinados, o caminho é revisar riscos e mapear situações em que a mudança legal possa justificar renegociação.


O melhor momento para discutir esse assunto não é quando a margem já foi comprometida. É durante a preparação do orçamento e da política comercial de 2026.


Vista lateral de uma linha de produção com embalagens sendo separadas
A reforma afeta operações reais, não apenas cálculos fiscais.

O próximo governo poderá alterar a Reforma Tributária?


As eleições presidenciais de 2026 trazem incertezas econômicas e mudança de orientação na política econômica. Esse ponto merece atenção, mas com cuidado técnico.


A Reforma Tributária já está prevista na Constituição pela Emenda Constitucional nº 132/2023. Uma mudança de presidente, por si só, não cancela automaticamente a reforma nem elimina as regras constitucionais já aprovadas.


Para alterar o núcleo constitucional da reforma, seria necessária nova emenda constitucional, com quórum qualificado no Congresso Nacional. Esse é um processo político mais complexo do que a edição de um decreto ou a mudança de uma norma administrativa.


O que o próximo governo poderá influenciar com mais facilidade?


  • prioridade política dada à implementação;

  • envio de novos projetos de lei;

  • regulamentações complementares;

  • estrutura e orientação dos órgãos responsáveis;

  • política fiscal e econômica;

  • relação com estados, municípios e Congresso;

  • ritmo de ajustes operacionais e administrativos.


Também poderão surgir debates sobre calibragem de alíquotas, regimes específicos, obrigações acessórias, simplificação operacional e tratamento de setores. Algumas dessas definições dependem de lei, outras de atos administrativos e sistemas.


Para as empresas, a leitura prática é clara: a reforma tem bases já aprovadas, mas sua implementação ainda terá etapas sujeitas a decisões políticas, técnicas e econômicas.


O segundo turno de 2026 pode aumentar a volatilidade de expectativas, câmbio, juros e decisões de investimento. Isso afeta orçamento empresarial, custo financeiro, repasses de preço e apetite para expansão.


Mas não é recomendável paralisar decisões esperando uma definição política total. O caminho mais seguro é trabalhar com cenários.


Um cenário deve considerar a regra vigente. Outro pode considerar ajustes na regulamentação. Um terceiro pode avaliar mudanças de ritmo na implementação. Todos devem partir de dados verificáveis, não de apostas eleitorais.


Quais decisões precisam ser avaliadas em 2026?


O ano de 2026 deve ser usado para preparar a empresa para o novo modelo. A preparação não precisa ser feita de uma vez, mas precisa ter método.


Algumas decisões merecem entrar na pauta de diretoria, controladoria, fiscal e comercial.


Revisar cadastros fiscais e classificação de produtos


Cadastros incorretos geram efeitos em cadeia. Eles afetam emissão de documentos, apuração de tributos, créditos, relatórios e preço.


A revisão deve incluir produtos, serviços, NCM, códigos fiscais, regras de incidência e tratamentos específicos.


Simular impacto por linha de receita


A média da empresa pode esconder problemas. Uma linha pode ganhar margem enquanto outra perde.


O ideal é simular por produto, serviço, unidade, contrato e cliente relevante. Esse nível de análise ajuda a tomar decisões comerciais sem improviso.


Mapear créditos atuais e futuros


Empresas precisam entender quais créditos utilizam hoje e quais poderão utilizar no novo modelo, conforme as regras aplicáveis.


Esse mapeamento ajuda a avaliar fornecedores, renegociar compras e qualificar documentos fiscais.


Revisar contratos com vigência longa


Contratos que atravessam a transição tributária precisam ser lidos com atenção. O foco deve estar em preço, reajuste, tributos incluídos, reequilíbrio econômico e responsabilidades das partes.


Ajustar orçamento, caixa e política comercial


Mesmo quando o impacto tributário final parece neutro, o efeito no caixa pode mudar. Prazos de pagamento, apropriação de créditos e repasses de preço afetam capital de giro.


A política comercial também deve ser revista. Descontos, comissões e metas precisam refletir margem líquida, e não apenas faturamento.


Vista superior de uma calculadora ao lado de notas fiscais impressas
Simulações bem feitas ajudam a separar risco real de ruído político.

Como a Escrilex orienta empresas nesse processo


A Reforma Tributária exige leitura técnica, mas a decisão é empresarial. Não basta saber o que a legislação diz. É preciso entender como isso aparece no preço, na margem, no contrato, no crédito e no caixa.


Com mais de 44 anos de experiência, a Escrilex Contabilidade acompanha empresas que precisam tomar decisões tributárias e financeiras com segurança, especialmente em ambientes de Lucro Presumido e Lucro Real.


O trabalho consultivo nesse momento passa por:


  • consultoria estratégica dos impactos da reforma na operação atual;

  • simulações tributárias por produto, serviço ou contrato;

  • revisão de créditos e oportunidades de melhoria;

  • apoio na formação de preços;

  • análise de riscos em contratos;

  • planejamento tributário para 2026 e anos seguintes.


Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise individual da empresa. Cada operação tem particularidades fiscais, comerciais e financeiras.


A melhor decisão agora é transformar a Reforma Tributária e eleições 2026 em um tema de gestão, não apenas de acompanhamento legislativo. Empresas que medirem seus impactos com antecedência terão melhores condições de negociar, precificar e preservar margem durante a transição.


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